“Desliza pelos dias com leveza… Para de transformar cada gesto numa prova de valor. As pessoas certas ficam, não porque te esforças até perder o fôlego, mas porque reconhecem quem és quando estás presente, inteira, tranquila e sem máscaras. Afrouxa o punho.
Vê como o ar volta a circular.
Como o corpo se solta.
Como a vida deixa de ser combate e volta a ser caminho.”
Foi assim que ela me acordou. Já não me vinha visitar, que quase me assustei. Sob um céu estrelado numa noite de azul intenso e aveludado, tinha-me sentado no relvo e quando menos contei, dei por mim a pensar no cansado permanente que tinha vindo a sentir. Na verdade penso até que ela me tem visitado… Eu é que não lhe tenho deixado tempo e espaço…
… relaxei, fechei os olhos? Deitei-me de costas na relva. Afinei a audição e deixei-a seguir..
Deslizando com cuidado, continuou, e eu escutei.
“E, se me permites expandir um pouco mais intuitivamente.
Há uma sabedoria antiga em não forçar o mundo. Quando deixas de apertar demais, o que é teu encontra espaço para chegar. A água não precisa justificar-se ao rio; apenas corre. Assim também tu: quando deixas de te medir, de te vigiar, de te avaliar a cada passo, a tua presença volta a ser casa. E quem é capaz de reconhecer essa casa, fica. Quem não é, o vento leva — e isso também é graça.”







