Passei o dia à procura, desesperei,
porém, o meu amor,
em lugar nenhum, achei.
Podes, por favor, dizer-me aonde foi?
Há em mim a estranha sensação
de que não mais o verei.
Por onde anda o meu amor,
esse que me é identidade e memória…
Será que escapou nas asas do vento
ou se deixou levar nas estrofes ilusórias
dos poemas sem tempo?
Por onde anda o meu amor?
Diz-me se souberes, pois, desespero
e perde-lo de mim, não quero.
Traz-mo antes que a bruma da ansiedade caia.
Há um desamparo realista…
uma falta em mim a sobressair,
um “ai” que não é escutado,
um toldar lacrimoso da vista.

Por onde anda o meu amor?
Terá fome, sede ou frio?
Dormirá ao relento, qual mendigo,
de si e do mundo, alheado, perdido?
Por onde anda o meu amor,
esse que me conhece por dentro e por fora,
que sabe de cor o sabor das minhas lágrimas
a intensidade das minhas dores, das minhas mágoas
e a espontaneidade dos meus sorrisos,
das minhas gargalhadas.
Diz-me, se souberes, por onde anda o meu amor…
Será que naufragou nas ondas do mar?
Que se perdeu nos labirínticos trilhos das quimeras
Ou se, simplesmente, se deixou acomodar
e apegar às intermináveis esperas?
Sabes…
Pensando bem, não adianta continuar
essa procura extenuante e sem fim
por um amor que se perdeu do seu eu
e que só poderei encontrar dentro de mim.

Dulcí Ferreira a autora do poema







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