A vida não é um mistério.
Nunca foi.
É estar aqui.
Pisar o chão…, respirar.
Levantar os olhos para um céu, que não te dá respostas,
para um mar que continua sem ti.
Repara… nas coisas pequenas!
Elas não pedem sentido!
Existem. Funcionam. São.
Isso sempre bastou.
O resto é barulho, pressa, importância inventada,
gente a correr para não ter de olhar.
Tudo tem lugar.
A pedra inerte.
O inseto ignorado.
A onda que não se repete.
Tudo conta na grande e linda pintura do mundo.
Tu homem… contavas também.
Como todo o resto.
Sem exceção!
Sem destaque!

Mas convém dizer a verdade inteira.
O mundo nunca precisou de ti.
Simplesmente assim, segue, indiferente, intacto.
Magnífico até…, na sua absoluta “falta de consideração”!
E tu… ficas com isto, a vida continua, completa, suficiente.
Mesmo quando decide não te incluir, e… não, não é crueldade!
…Até porque… Ela não pede que gostes.

Bruno Collaço, o autor do poema







