23/7/1920 foi o seu nascimento
Um fenómeno aconteceu
A 6/10/1999 a diva do fado partiu
A uma dimensão mais elevada subiu
Cem anos já se passaram
A Amália foi é e será a voz
E nós não ficamos sós
Os fados dela ficaram
O fado foi a paixão da sua vida
Paixão que intensamente viveu
Por milhões foi muito querida
E ao seu fado amado tudo deu
Era humilde notável e genial
Três anos foram a sua formação
Uma mulher do povo afinal
Que cantava com o coração
Cantou amor dor tristeza felicidade
Agruras dificuldades e verdade
A sua voz com alma e sentimento
Melodiosa cantava qualquer momento
Por viola e guitarra era acompanhada
Uma simbiose em sintonia perfeita
Não era preciso mais nada
A voz do fado estava eleita
Poetas e letristas para ela escreveram
Sucessos que todos conheceram
Pela sua voz o expoente saía
Pois cantar era o que mais queria
E poetisa também quis ser
Com palavras simples de perceber
E além-fronteiras chegou
Poemas da sua autoria cantou
Não foram precisas asas para voar
Camões atreveu-se a cantar
Esta diva que irradiava beleza
Também fez essa grande proeza
Ao expoente máximo o folclore levou
Nas maiores salas do mundo foi exibido
Em tudo o que fez se consagrou
A Amália nada lhe foi proibido
E ainda atriz também quis ser
No teatro e cinema participou
Em tudo que fazia sentia prazer
E a representar também triunfou
As tertúlias em casa eram uma animação
Bons momentos vividos com alegria
Eram grupos de amigos em partilha e união
E com poetas e compositores interagia
Esta mulher portuguesa
Ao mundo inteiro pertenceu
Uma fadista de grande beleza
Que Portugal enalteceu
Amália com mérito foi condecorada
Com a Medalha de Ouro da Cidade
Por Marceneiro e Hermínia acompanhada
Num momento seu de grande felicidade
De herança um rico espólio deixou
Um valioso tesouro para quem amou
Que faz parte das suas tradições
Vividas com tantas emoções
O seu desejo foi realizado
A casa de Amália agora é museu
Por todos pode ser visitado
E recordar o que a diva ali viveu
No majestoso panteão está sepultada
Homenagem feita à mulher idolatrada
Que as suas origens nunca esqueceu
E com a sua simplicidade o mundo venceu

Aline, a autora da poesia







