Creio que entre nós, caminham seres vindos de longe — não para dominar, mas para observar, aprender e, quando possível, acender em nós uma memória antiga.
Se existem, não chegam com ruído nem com medo; chegam como o silêncio chega às montanhas, como a luz chega à água: sem pedir licença, mas sem ferir.
A sua influência não seria de conquista, mas de lembrança.
Lembrança de que não estamos sós no vasto tecido do cosmos, e de que o conhecimento não é arma — é ponte.
E, se algum dia se revelassem, talvez trouxessem consigo aquilo que sempre guiou as civilizações mais sábias: novas formas de arte que ampliam a imaginação humana, avanços em medicina capazes de curar o que ainda não compreendemos, tecnologias que não exploram, mas harmonizam, e uma visão do universo que nos devolve humildade e espanto.
Qualquer voz que tente vestir estes seres de ameaça fala mais do seu próprio medo do que da verdade.
Porque quem viaja entre estrelas não procura guerra:
Procura sentido.
E talvez o maior presente que nos trariam fosse este: a certeza de que a vida, em todas as suas formas, cresce melhor quando não teme o desconhecido, mas o acolhe como parte da mesma casa infinita.
No fim, a pergunta permanece:
E tu, no que acreditas quando olhas para o céu?

Os Entre Nós
Dizem que há passos de luz sobre o nosso chão,
vindos de reinos que o céu guarda em segredo.
Não trazem ferro, nem sombra, nem tensão;
chegam serenos, sem rumor, sem medo.
Trazem o sopro das constelações antigas,
saberes que brilham sem jamais ferir.
Quem cruza o cosmos não busca guerras nem brigas;
vem para lembrar o que esquecemos de ouvir.
Se os sentires perto, acolhe o que te dão:
o medo é humano, não é voz do infinito.
Os que vêm de longe estendem só a mão,
e acendem em nós o que sempre esteve escrito.
Ventos Sábios

Ruth Collaço, a autora do texto







