(que te mostre)
Deixa que te cante em versos meus…
bem sabes de mim, pássaro
que por ti desprende a voz,
esta voz que não mais eu,
porque acorda os sonhos teus.
Deixa que te cante neste poema
que com palavras te abraça.
O meu canto é o sussurro de quem ama,
a doce melodia que te acalma,
o Tu tempestade, quando passa.
Deixa que te mostre
o paraíso do meu canto.
Se há trilhos nele,
que sejam percorridos sem demora,
porque urge o tempo
e se queremos alcançar a madrugada,
teremos que sair agora.
Deixa que te cante a noite escura
porque o dia, já faz questão de se fazer
e o céu já te reclama para mais uma aventura.
Se te fores, sei,
sem ti não saberei viver
Anda…
Vem comigo ver o mar!
Talvez não pareça,
mas tem tanto para ver
para amar!…
E eu fui… sim, fui ver
e já o corpo dele jazia, dormente
no cais do meu ser.
Sabes…
agora vejo que não percebeste a lua,
porque deixaste que parasse de brilhar
para nós dois.
Quanto a mim, perdi-lhe o rastro
quando Minh ‘alma esqueci
só para cuidar da tua.
Oh! Como é iluminada a tua cidade!
Se a admiro?
Como não, se sempre brilhou mais que a minha…
Dilacera o meu ser esta ansiedade!
Deixa-me que parta, estrela cadente
cometa movente, alma triste, fraca.
Sabes…
um dia sonhei ser Liberdade nesse teu universo
e também quis ser Palavra iniciante
no teu infinito de primaveras,
mas só agora percebi
que o meu sol nascente acontecia
por detrás da tua silhueta.
Que pobreza será este chão quando te fores!

Dulci Ferreira, a autura do poema







