Não faz sentido olhar para trás, aliás, nunca fez!
Tenta decifrar um mapa que já não corresponde ao território.
O passado é apenas poeira
pousada na pele — memória sim, mas não pode ser morada.
A mulher que sou escuta os ventos e sabe que nada cresce voltado para trás. O que importa é o sopro que chega, o murmúrio que empurra, a intuição que se acende quando a alma percebe que é tempo de avançar.
Há sempre um instante em que o vento muda de direcção e, nesse instante, a vida pede que largue o que já não me reconhece.
Inventar o amanhã é um acto de magia de (a tal re_invenção).
É confiar que o “Invisível” conspira a nosso favor quando lhe abrimos espaço. É permitir que o destino não seja repetição, mas criação.
O vento, que é sábio, ensinou-me que o futuro não se adivinha: tece-se. Fio a fio, gesto a gesto, escolha a escolha.
Quando paramos de nos preocupar com o passado, o corpo alivia, a mente expande, e a alma finalmente respira.
O amanhã, caros leitores, nasce no exacto momento em que ousamos caminhar com o vento — não atrás dele, não contra ele, mas com ele.

Ruth Collaço, autora desta porsa poética







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