(Continuação)
Feitiço
Sim, feitiço! Enfeitiçada por esta Terra maravilhosa, consolidei a minha estrutura mental sempre em função da natureza, do que ela nos oferece, do que ela nos tira por direito superior.
A vida simples associada ao tempo de que podia usufruir por inexistência de atrativos dispersos, mostrou-me caminhos elevados até aí pouco entendidos. Procurei então pelas vias possíveis do conhecimento, “educar” e analisar-me perante a vida, principalmente as minhas escolhas, preparando-me assim para a fase adulta.
Creio ter nascido de novo, daí a minha gratidão pelo acolhimento da TERRA e dos astros que me regem.
Aquele bocadinho de África construiu-me, reiterando as minhas convicções. As gentes, com todas as dificuldades inerentes ao ilhéu sem meios para se expandir, tinham a alegria na voz e no passo, respeitavam as suas crenças, tiravam o maior e melhor partido possível do pouco que tinham, fazendo germinar sem atropelos ou confusões, o espírito de partilha.

Ilhéu das Rolas – São Tomé
Deixei a ilha num Agosto gravana. O meu Pai rumou a Angola, a minha Mãe não continha as lágrimas, os amigos ficaram no cais, o namorado partiria também, os tubarões martelo nadavam incessantes como sempre e a escada exterior do navio tremia.

Tubarão martelo
Feita a viagem, não nego a emoção de cruzar a barra e ver Cascais a anunciar chegada. Em Alcântara fazia-se a festa, os braços no ar diziam olá e não havia lenços brancos.
Lá estavam eles !!
Estão ali Mãe!!!
Dentro do navio também havia festa enquanto se agitavam despedidas.
Saí como quem encara o futuro firme e decidida.
São Tomé e Príncipe nunca ficou para trás por isso batem saudades.

Maria Dulce Araújo, a autora do texto








Uma resposta para “Memórias de um mar que me leva e me traz – Final”
Adorei S. Tomé!
E o Príncipe!
Ai o Príncipe !
Amei!!!