Gepeto era carpinteiro de profissão.
O seu grande sonho era um filho ter.
Bem-disposto e com muita dedicação
Resolveu um boneco de madeira fazer.

Tinha que parecer um rapaz verdadeiro
Pinóquio era como lhe iria chamar.
E aquele homem bom e companheiro
No seu sonho começou a trabalhar.
Quando a boca já pronta estava,
O Pinóquio a língua de fora deitou.
E enquanto o seu mestre trabalhava
Muitas surpresas o Pinóquio criou.
Quando as pernas prontas ficaram
Logo para a rua saltou a correr.
Gepeto ficou muito atrapalhado
E chamou-o sem saber o que fazer.

Mas o Pinóquio não lhe ligou.
O Mestre foi atrás dele, numa aflição,
E logo um polícia parar o mandou.
E, de imediato, levou Gepeto para a prisão.
O menino pensou que tudo podia fazer
E, como já estava cansado de correr,
Para a sua cama quis ir descansar
E, muito admirado, ouviu uma voz falar.
A vozinha dizia que era o “grilo falante”
E que os meninos tinham que obedecer,
Mas o Pinóquio, maroto, mas confiante,
Preferiu a voz daquele grilo esquecer.

Uma bela noite, enquanto dormia,
Desconsolado e com fome acordou.
Começou a procurar o que existia,
Mas apenas um ovo encontrou.
O Pinóquio ficou muito zangado.
Tinha fome, frio e estava cansado
E, sem saber muito bem o que fazer,
À lareira se sentou para se aquecer
Rápida e profundamente adormeceu.
Entretanto, Gepeto saiu da prisão
E, feliz, logo para sua casa correu,
Mas com alguma preocupação.

Viu o Pinóquio com fome, frio e cansado,
Mas bem aconchegado junto à lareira.
O bom Gepeto ficou bastante admirado,
Pois tinha queimado os pés de madeira.
Este menino portava-se mesmo muito mal,
Mas o bom homem castigá-lo não conseguia,
Pois sabia que ele era uma criança desigual
E que não podia ter tudo o que pretendia.
Deu-lhe umas peras para ele comer.
Terno, a mão pela cabeça lhe passou
E tudo o que, triste, lhe conseguia dizer
Foi prometer-lhe os pés que queimou.

Um menino a sério precisava parecer
Para a escola também poder ir estudar:
“Aquilo que para já vou ter que fazer
É comprar roupa para te agasalhar”.
Mas Gepeto, que era tão pobrezinho,
Teve que o seu próprio casaco vender
E fez aquilo com todo o seu carinho
Para o livro de leitura ele poder ter.
E o livro de leitura com amor lhe deu:
“Porta-te bem”, foi o que lhe pediu,
Mas o Pinóquio à escola não apareceu,
Porque no caminho algo descobriu.
Um teatro de marionetas encontrou.
Com os bonecos logo se entusiasmou,
Que o chamaram de companheiro
E lhe prometeram fama e dinheiro.
E o dono do teatro, chamado Stromboli,
Logo viu que aquele diferente rapaz
Não foi por acaso que apareceu ali.
E de cantar e dançar ele era bem capaz!

E na verdade ele fez uma boa atuação.
Pagou-lhe com cinco moedas de ouro.
O Pinóquio, com felicidade no coração,
Voltou para casa com o seu tesouro.
Mas pelo seu caminho lhe apareceu
Um gato. E também uma raposa que não esqueceu.
E sem grande êxito o tentaram roubar,
Mas a uma árvore o foram amarrar.

Vivia não muito longe desse lugar
Uma boa fada azul, muito bela.
Com pena do Pinóquio, o quis ajudar
E, levou-o para a sua casa singela.

Sabendo a fada do que aconteceu
Ao menino pediu as moedas de ouro.
E ele, muito ambicioso, só entendeu
Que podia ficar sem o seu tesouro.
E disse que o perdeu ao tentar fugir.
O seu nariz de imediato cresceu!
E a boa fada azul logo compreendeu
Que aquele rapaz estava a mentir.
O “grilo falante” de novo ao ouvido
Lhe disse baixinho: “vê o que aconteceu!
O nariz cresceu só por teres mentido!”
Triste, soube que teve o que mereceu.

E assim o seu nariz ao normal voltou.
Então, o Pinóquio, contente, pensou
Que um rapaz de verdade queria ser
Para que feliz pudesse crescer e viver.
E perguntou à fada se o podia ajudar
E ela, sorrindo, disse para bem se portar:
“Tens que sempre falar com sinceridade
E eu transformo-te num rapaz de verdade”
Ainda mesmo muito pouco tinha andado,
Apareceu o gato e a raposa a seu lado
Mas, desta vez, logo ali o apanharam
E as suas moedas de ouro lhe roubaram.

Pinóquio, triste, com um polícia foi ter.
Este do seu comportamento já sabia.
Prendeu-o! Sem saber o que fazer
Disse que ver o seu pai, Gepeto, queria.
Mas o seu pai para o mar tinha partido
À procura do seu menino perdido.
Mas uma grande tempestade surgiu
E logo o seu fraco barco destruiu.
Pinóquio, preso, prometeu de coração
Ser um menino muito bem comportado
E que, quando saísse daquela prisão,
Voltava para a escola de bom grado.
Mas, logo que saiu, a promessa esqueceu.
Ao ir para a escola, uns rapazes encontrou.
Convidaram-no a ir com eles e aceitou
E novamente à escola não apareceu
Na terra dos brinquedos queriam entrar.
A caminhar se puseram, entusiasmados.
Mas, quando estavam mesmo a lá chegar,
Todos em burros foram transformados.

Sendo um burro, o que poderia fazer?
Trabalhar num circo teve que ser.
Magoado numa perna deixou de trabalhar
E o dono do circo logo o atirou ao mar.
Ao cair à água, novamente ficou
Aquele boneco inicial, de madeira,
E, quando ao fundo do mar chegou,
Encontrou uma baleia verdadeira.
Cheio de medo, por ela foi engolido.
Chorava pelo que lhe tinha acontecido,
Mas na barrida da baleia encontrou
O seu pai, Gepeto, que tanto amou.

O Pinóquio, feliz, nem queria acreditar
Que os dois se estavam a abraçar
E este tão belo presente que recebeu
Foi a fada azul que apareceu e que lho deu

O Gepeto era um homem de bom coração.
O Pinóquio aprendeu muito bem a lição.
A boa Fada Azul a magia tinha que fazer
Para que os dois pudessem de novo viver.
Então, a Fada o Pinóquio transformou.
Num menino igual aos outros ficou!
Era mesmo aquilo que ele tanto queria
E, por isso, muito chorou de alegria.

Festejaram o dia mais feliz das suas vidas.
As coisas más foram logo esquecidas.
À linda Fada Azul muito agradeceram
E, juntos, felizes para sempre viveram!






