À Inês e a todas as crianças deste mundo  

Certo dia, um abastado mercador 

A sua grande fortuna perdeu. 

Foi muito triste a sua dor 

Por não perceber o que aconteceu.

Para uma modesta casinha, 

Numa simples aldeia foi viver, 

Era pequena e pobrezinha, 

Mas nada ele podia fazer. 

Tinha três filhas que o acompanharam 

A quem ele como pai muito amava. 

As mais velhas da aldeia não gostaram, 

A mais nova alegremente o ajudava.

O pai de Bela gostava de a chamar. 

Ela ficava feliz de legumes cultivar. 

Um dia o pai teve que se ausentar 

Para ir à cidade negócios tratar. 

–Que presentes mais gostariam 

De receber minhas filhas formosas? 

–Perguntou. As mais velhas logo pediram 

Joias e belas pedras preciosas. 

A Bela, com um lindo sorriso, 

Só rosas brancas pediu: 

–de nada mais eu preciso! 

E o pai para a cidade partiu.

Já a noite ia muito avançada 

Quando o mercador saiu da cidade 

Sem saber ao certo onde estava, 

Pois já havia claridade. 

E numa floresta se perdeu 

Enquanto o caminho procurava. 

Mas um belo palácio apareceu 

Com a porta escancarada.

O mercador o seu cavalo alimentou 

E no palácio resolveu entrar. 

Mas ninguém se aproximou 

Para vir com ele falar.

O palácio não parecia abandonado… 

Na mesa havia comida e vinho. 

Como estava muito esfomeado, 

Resolveu comer mesmo sozinho

Também estava muito cansado 

E a um dos quartos foi ter. 

Sabia que estava errado, 

Mas acabou por adormecer. 

Na manhã seguinte, cedo acordou 

Com um cheirinho a café gostoso. 

Roupas novas na cama encontrou. 

Tudo era realmente maravilhoso!

Arranjou-se para à sala descer, 

Um belo pequeno almoço encontrou. 

Sem saber a quem agradecer, 

Sentou-se à mesa e almoçou. 

Com o seu cavalo foi ter 

E uma linda roseira encontrou. 

Rosas brancas quis colher, 

Mas a ninguém perguntou.

E as rosas começou a cortar… 

Mas logo uma voz ouviu, zangada: 

-Isto é modo de me agradar, 

Da hospitalidade que te foi dada? 

Olhou e um monstro viu. 

Nem soube o que argumentar! 

Mas o medo que sentiu 

Quase o impediu de falar 

-As minhas rosas estás a roubar 

Sem eu saber qual a razão. 

Agora terei que te matar. 

Não terás o meu perdão!

-São para a minha filha Bela –

Disse o mercador a tremer –  

Ela é tão doce e singela 

E rosas brancas queria ter…


 -Não morrerás, mas terás de prometer 

Que trarás para me alegrares 

A primeira coisa viva que te aparecer, 

Quando a tua casa chegares! 

Muito pensativo, o mercador 

Só queria que, quando chegasse, 

O cão ou o gato com amor 

Um deles o cumprimentasse… 

Mas logo que a casa chegou 

Viu sua filha Bela aparecer 

Que, feliz, o cumprimentou, 

Vindo ao seu encontro a correr. 

Triste contou à filha o mercador 

O que teve que prometer. 

E a Bela, com todo o seu amor, 

Disse: — Com o monstro eu vou ter. 

E assim, algum tempo passado, 

Para o palácio tiveram que voltar. 

Os dois partiram lado a lado, 

Mas sem pressa de chegar. 

Tudo se passou de modo igual, 

Na mesa o que era bom existia, 

Um manjar muito especial, 

Uma verdadeira iguaria. 

Logo que à mesa se sentaram, 

O monstro fez questão de aparecer. 

Muito preocupados ficaram, 

Sem saber o que ia acontecer 

–Gostas de rosas? O monstro perguntou. 

O mercador, triste, a cabeça abanou: 

–Ela quis que eu cumprisse o prometido 

E logo fez questão de vir comigo.

–Vai embora, mau eu não sou! 

Ao ver o pai partir, a Bela chorou, 

Mas com medo não ficou 

E até simpático o monstro achou. 

O monstro, um dia, pediu à Bela 

Se com ele queria casar 

E a menina, com suavidade singela, 

Disse que não, mas sem o magoar.

O mercador adoeceu gravemente 

E a Bela muito o queria agradar. 

Então pediu ao monstro docemente 

Se o seu pai podia visitar. 

Muito infeliz, um anel lhe deu: 

–Em cima da mesa o deves pousar. 

Verás que um milagre aconteceu 

Se a tua casa quiseres voltar!

No que se passou nem queria acreditar. 

Em sua casa apareceu de repente, 

O pai, feliz, começou a melhorar, 

O tempo ia passando alegremente. 

Com o monstro a Bela sonhou um dia. 

No jardim das rosas o viu deitado, 

Fraco, doente e de saudades morria, 

E a menina logo quis ir para seu lado

De novo na mesa o anel pousou 

E, num instante, ao lado dele apareceu, 

Que muito espantado ficou, 

Com um sorriso que tanto a enterneceu. 

Um clarão de luz, que a deixou contente, 

O jardim das roseiras brancas iluminou. 

Muita música se ouviu de repente 

E o monstro num príncipe se transformou.

O feitiço tinha sido quebrado. 

Só um verdadeiro amor o podia salvar. 

À Bela agradeceu com um obrigado 

E pediu-lhe para com ele casar. 

A menina não queria acreditar, 

Mas logo aceitou com ele casar. 

De seguida, o seu pai mandou chamar 

Para perto deles poder morar.

Muito felizes todos viveram, 

Porque a bela o monstro não rejeitou. 

Os maus momentos logo esqueceram 

E mais uma vez o amor triunfou!

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