Certo dia, uma mulher,
Que muito triste vivia,
Sem saber o que fazia
Pois só ter filhos queria.
Resolveu uma feiticeira procurar,
Que logo o seguinte a mandou fazer:
Num vaso, uma semente plantar
E esperar o que ia acontecer.

A boa mulher o conselho não percebeu,
Mas fez tudo o que lhe foi dito.
Um dia, no vaso, uma flor apareceu
E entendeu aquilo como um sinal bonito.
No meio das pétalas da flor,
Uma menina minúscula nasceu.
Era mesmo linda, um amor!
E, muito feliz, a mulher percebeu

Que finalmente tinha uma menina
Para a sua vida alegrar.
Era a sua filha, tão pequenina,
Só Polegarzinha lhe podia chamar.
Uma casca de noz foi o seu leito.
Todas as noites nele dormia.
Mas uma noite, sem qualquer respeito,
Um sapo aventureiro com ela fugia.

Pensou que era a noiva ideal
Para com o filho seu casar.
Nem sequer pensou no mal
Que àquela Mãe iria causar.
No seu pântano a depositou,
A Polegarzinha com medo tremia.
De tristeza, sozinha, muito chorou
Porque ali ninguém conhecia
Com medo que ela pudesse fugir,
Num nenúfar o sapo a quis deixar.
A menina, triste, não via a quem pedir
Ajuda para poder sair daquele lugar.

Havia por ali muitos peixinhos
Que da menina logo se enterneceram,
Porque a tristeza dos seus olhinhos
A todos eles comoveram.
Prontificaram-se a Polegarzinha ajudar
E logo pensaram no que iam fazer.
Era uma tarefa que não podia falhar,
Tirá-la dali para ela não sofrer.
Aquela ajuda aceitou a Polegarzinha.
À volta do nenúfar os peixinhos roeram,
A folha onde estava aquela menininha
Separou-se e os peixinhos venceram.

Flutuou nas águas e foi-se afastando,
Agradecendo a quem a ajudou.
Lentamente à margem foi chegando
E o velho sapo jamais a encontrou.
Precisava a menina quem a ajudasse,
Mas não sabia onde procurar.
Alguém que à sua casa a levasse
Para poder sua mãe abraçar.
Por ali perto passava uma toupeira
Que ouviu a Polegarzinha a chamar,
Mas, como era muito matreira,
Pediu-lhe para com ela casar.

Para ver se a enganava,
À sua mãe a prometeu levar.
Mas a menina não confiava…
Portanto, não podia arriscar.
Por isso, ficou muito apavorada.
Debaixo da terra viver não queria!
do vento e das flores muito gostava…
isso era a sua grande alegria!
Mas a menina não podia imaginar
Que uma doce andorinha,
Que para países quentes ia imigrar,
Iria deixá-la na sua linda casinha
E porque ouviu a conversa da menina,
Logo pensou que tinha que a ajudar,
Pois ela era tão indefesa e pequenina,
Que não a podia abandonar.

Para sua casa a andorinha a levou,
Mãe e filha se encontraram.
O susto sofrido para trás ficou
E, felizes, jamais se separaram.
Nunca mais deixá-la sozinha,
Foi a promessa que a mãe lhe fez.
Ela era muito pequenina
Para a perder outra vez.

Para sempre felizes viveram,
Era um amor tão bonito…
Muitas coisas aconteceram,
Porque no Céu estava escrito!






