Hoje, escrevo-te um poema pejado de nostalgia.
Recebe-o com carinho, humildade e gratidão.
Nele elevo o voo e o canto da cotovia.
Nele coloquei tudo o que me ia no coração.
Escrevo-te para te dizer sobre o amor que te tenho
e do aperto que a solidão me coloca no peito,
quando te procuro e não te encontro a jeito.
Quero-te contar de mim, sobre quem sou e d´onde venho.
Se não me quiseres ouvir nas palavras que te escrevo,
se não é do teu agrado que sobre mim exponha e fale,
ordenarei à voz que me dita, que nada diga, que cale.
Toda a gente tem segredos, coisas que só a si dizem.
Toda a gente tem direito a um espacinho só seu.
Respeitemos uns e outros no que são e no que fazem.
Aceita de mim este poema, um pedacinho de céu.
As palavras que te escrevo, neste silêncio gritante,
são redigidas no embalo das ondas e cheiram a maresia,
pétalas vermelhas a tapetar o meu corpo, nos instantes.
Uns ficaram tatuados na pele, outros foram pura fantasia.
Deixa que te ofereça um poema, com o mesmo amor e desejo
que nos despertam os beijos, fazendo pulsar forte o coração.
As palavras são o mote da minha ventura, o meu solfejo.
Aceita o poema que te escrevo, abraça-o e beija-o.
Aperta-o contra o peito e guarda-o, bem juntinho ao coração.

Dulci Ferreira, a autora da poesia







