No campo desencanto
O sol por companhia
Ou a chuva em agonia,
Cantava a ceifeira
Curvada até ser dia.
Voavam cegonhas
Esculpindo o ninho,
Tão belas achadas
Como mães cuidadas,
Senhoras das torres
De solitárias oradas.
No campo imenso
A vida crescia
Tal como as searas,
Secando o grão
Do sagrado pão.
O curso esquecido
Do tal Guadiana,
Lembrava das gentes
E suas cantigas.
Hoje,
No campo do alento
Verde carpete imensa
Vida de horizonte,
Veste o novo Alentejo
E seu cante se ouve
Para lá da longura.
Ceres protege a terra
E nela dançam fadas,
Frias madrugadas
Despedidas do estio,
A magia bucólica
Dos milhafres no céu
De asas abertas
No alto dos montes.

Maria Dulce Araújo a autora do poema







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