(espelho meu)
– Ah… Raisparta a hipocrisia!
Caramba!
E parece que foi ontem a primeira vez…
Sabes…
Quando fico assim
Cega por ti
Avassala-me o temor da escuridão
Temo perder a razão
Receio confundir os caminhos certos
Com os labirínticos trilhos da ilusão.
E a insensatez
Raisparta a insensatez!
Na falta de atitude, duvido
Que possamos fazer muito de uma vez
E a impotência…
Ah… a impotência
Do querer fazer sem poder…
Dói a Alma
Sangra o coração
E mesmo assim
A vida segue por aí
Virando esquinas, páginas
E eventualidades.
Olhou-se ao espelho e de punho cerrado garantiu:
– Raisparta se não transponho as cavernas alegóricas
Se não galgo os muros da discórdia
E venço o marasmo e a letargia
Que se apoderaram de mim
Quando te foste para longe
E me roubaste a alegria
De escutares as minhas preces.
Ainda assim,
Se algum dia me vires
Deambulando por aí
E me não reconheceres
Não me perguntes quem sou,
Pois, responder-te-ei que,
Apesar de comigo,
Tantos anos conviveres
Sou aquela que de mim
Continuas a desconhecer.

Dulcí Ferreira a autora do poema






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