Para mim o autoconhecimento não aconteceu como um relâmpago; revelou-se quando eu me obriguei a olhar para dentro com honestidade e ternura.
Já a espiritualidade, por sua vez, floresceu quando eu reconheci que, nesta caminhada chamada vida terrestre, cada gesto meu foi um rito, cada pensamento foi uma semente, cada silêncio se transformou num templo secreto.
Deixo-vos um texto nasceu como um fio contínuo, sem interrupções, como se eu estivesse a caminhar dentro de mim com a mesma delicadeza com que se entra num templo silencioso, durante uma das minhas muitas (e amigas) insónias.
Sempre foram estas a horas de encontros inevitavelmente reveladores.
Caminho então por esse corredor de luz e sombra onde partes minhas pedem acolhimento, outras desejam ser libertas e algumas apenas querem ser vistas sem o desconforto do julgamento.
Quando me abro a essa escuta íntima, percebo que a minha evolução não depende de respostas grandiosas, mas da qualidade das perguntas que ousei fazer a mim mesma.
É nesse gesto simples, repetido e profundo que eu me reencontro e (me) renasço, como quem acende uma chama discreta no próprio peito.
Antes de seguir, deixo que estas perguntas se (re)aproximem de mim e de ti(quem sabe), como espelhos internos, desafiando-nos a escutar o que vibra nos silêncios que nos preenchem a voz:
O que é que evito sentir?
Que parte de mim precisa de mais verdade?
Como posso honrar minha energia hoje?

Ruth Collaço a autora do texto







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