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No meu quintal

No meu quintal

Tanto procurei, que naquela aldeia pequenina no sopé de um arborizado monte, acabei por encontrar espaço para o meu quintal.

Era selvagem, de vegetação rasteira e pedregulhos por onde serpenteavam diversos rastejantes temerosos dos meus passos.

Nenhum deles me atormentava, até achava graça às cegas correrias, lembrando aquelas paragens do metro em hora de ponta, de onde saiam passageiros esbaforidos para chegarem a horas aos empregos em atropelos e gincanas.

Depois do terreno limpo, delineei canteiros com os pedregulhos pintados de branco, numa semelhança com alvas ovelhas nos pastos dos campos.

As árvores bordadas aqui e ali, compunham o meu quintal finalmente pronto para me receber cedinho pela manhã, quando o orvalho secava quais lágrimas da noite.

As plantas que cresceram, lustrosas e lindas, majestosas no querer ali viver, encantaram os meus olhos descobrindo todos os dias um novo rebento.

Os girassóis adormecem com o luar, resplandecem com o sol e foram os meus muros.

Os habitantes do princípio, foram perdendo o medo, deixando-os eu em paz por ali, pois a terra fora primeiro deles antes de ser minha. Fora uma mútua adoção.

Faltava agora uma casinha pequena. Uma tenda bem cuidada resolveu a situação.

Era o cantinho dos amigos como alguém lhe chamou.

O observatório das constelações como outro alguém dizia.

Hoje nada disso tenho tirando a casinha, desta vez de pedra e cal.

Se perdi a esperança de voltar a ter um quintal?

Não!!!

Quem sabe??!!

Só a esperança…

Maria Dulce Araújo a autora do texto

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