Eles ensinaram-me a olhar o corpo como se fosse apenas pele — um mapa raso, um território sem profundidade.
Ensinaram-me a medir o feminino em contornos, a reduzi-lo a forma, a moldura, a espelho.
Mas há algo que escapa a essa geometria.
Há uma vibração por baixo da carne, um campo invisível onde o corpo deixa de ser imagem e passa a ser presença.
O feminino não é objeto — é força que respira.
É matéria que pensa, que sente, que cria mundos.
É o lugar onde o invisível se torna visível, onde o mito se encarna, onde o tempo se dobra.
Não sou superfície — sou território vivo, sou memória que se move, sou voz que se ergue da terra.
E se o corpo for, afinal, o primeiro altar da consciência?
Ventos Sábios

Ruth Collaço, a autora do texto







