Fora tanto o que vivera
E, no entanto, ainda nada
De outro tanto que previra.
Por um lado, lamentava
Tanto tempo já passado
E sem ter qualquer proveito
Sem na verdade se dar
E outro tempo recordava
Em que no tempo se perdera
Sem saber porque estrela se guiar.
Observou admirada
Aquele reflexo no espelho…
Não… não era o seu
E em si mesma se perdeu
Nas lembranças escondidas
Bem no fundo da memória.
Ficou assim… por instantes…
Quieta, apenas observando
Tentando reconhecer-se
Mas, não!… Não era ela!
Naquele rosto cansado
Percebeu rugas de história…
Nos seus passos, o tempo
E no seu corpo um templo
Um enorme espaço amplo
Ao abandono
Num imenso universo
Que, afinal
Não era seu
Pois que sempre se entregava
Sem conseguir dizer não.
Ainda hoje
Quando ele diz:
“Vem para mim!”
Ela vai, apenas vai
E seu universo lhe entrega
De forma simples
Assim.
In “UTOPIAS DO PENSAMENTO
Vol- 1 “ESTE POEMA TÃO NOSSO”, Chiado Books Editora, 2028

Dulcí Ferreira a autora do poema








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