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Essa…

Essa…

Por que se ferem os homens,
uns aos outros
e tão profundamente?

Fixo o olhar no teu rosto e tento compreender
o delicado das tuas linhas de expressão…
Mostras-te quase angelical…
o mais puro dos humanos…
os teus olhos expandem-se,
brincalhões,
pela sobriedade da minha face inquiridora…
???
Há qualquer coisa que me escapa ao entendimento…
Algo me diz que para lá desse ar de menino bobo,
abrigas rios de prepotência
de arrogância
de vaidade e intransigência.

De frente para os meus opressores,
mordo os lábios e até a Língua…
essa que sai pela boca,
essa que dança na ponta dos dedos,
essa que nasce da alma e mordisca o coração…

Essa que esconde segredos,
que nos é Identidade e Nação,
essa que nos é arma de arremesso
e simultaneamente paixão…

Essa que nos é faca afiada
que nos corta na casaca…
que em pedra tosca é lavrada…
que nos diz tudo e nada…

Essa que, ou derrete o coração
ou deixa mágoa,
essa que nos é Fado e Saudade
que é ponte entre nós e entre margens,
que tanto aproxima como afasta,
mas que de boa vontade se faz diplomata…

Essa, que mal compreendida,
tantas vezes leva a guerras,
mas que bem falada e esclarecida,
ao mundo devolve a paz…

Essa que é de Camões, das comunidades
e de todos os poetas…

Por que a usam, os homens
para se ferirem uns aos outros,
e tão profundamente?

Alguém que o explique
alguém que o diga
alguém que o escreva
que o registe
que o redija.

Alguém que nos conte,
que nos mostre
que nos fale
que nos cante e que,
depois do desabafo,
a sinta liberdade plena.

Que por dentro se faça luz,
se faça cor
se faça chão
se faça mar
se faça céu
se faça Amor!

Dulcí Ferreira a autora do poema

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