Enfrentam a bonança e a tempestade
As árvores são como as mães…
São tronco, estrutura familiar,
O abraço dos ramos que se alargam
A vida que dão sem hesitar.
São as lágrimas que brotam sem chorar
A frescura do orvalho
Nas folhas que albergam vidas.
A casa-abrigo, onde os pássaros nidificam
A raiz que se estende e multiplica,
As flores que brotam, o néctar que frutifica.
As árvores são como as mães
São a razão de ser e de existir
O colo que aquece quem em si habita,
O ar perfumado que se respira
A sombra que refresca e a água que purifica.
São a segurança, a casa
Os cabelos que o vento agita
As camélias na jarra
Que embeleza o hall de entrada,
O vestido florido e a sandália entrançada
O passo ledo sobre as pedras da calçada.
As árvores são como as mães
São a beleza sublimada
No brilho dos brincos de princesa,
Na semente à terra lançada
No beijo que se rasa no vento
No grito de dor, no lamento
Na orquestra harmoniosa e compassada
E no bailado esfusiante da natureza.
As árvores são como as mães
Elas vergam, mas não quebram
Enfrentam a bonança e a tempestade
A dor da ausência e da saudade
Dos amores que vêm e que vão.
Sofrem, nas mãos do homem, a maldade
Mas quase sempre morrem de pé.
As árvores são como as mães
Que nos abraçam, beijam e abrigam
E nos dão a segurança necessária
Para um promissor amanhã,
Porque as árvores são sombra e frescura
Regulam a temperatura e a humidade do ar
E sem elas será impossível respirar,
Tal e qual o aperto no peito de um filho
Quando uma mãe parte para não mais voltar.

E agora, as árvores e as mães
Abatidas pelos misseis de longo alcance
E dos canhões que cospem fogo
E tudo em incandescentes labaredas
E o fumo negro que fere os olhos e a respiração
E as estradas ensanguentadas
E o coração amargurado
Sob as lágrimas secas dos mais pequenos.
As árvores são como as mães!
Ambas aconchegam, aquecem, protegem
E choram.
in “Mimos, Beijos e Outros Aconchegos”, Oficina da Escrita, 2024 (Editado).

Dulci Ferreira, a autora do Poema







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