A solidão é a sorte de todos os espíritos excecionais.

— Arthur Schopenhauer

Schopenhauer distinguia solidão de isolamento: para ele, a solitude era um espaço fértil onde o pensamento amadurece, enquanto o silêncio funciona como o terreno onde essas ideias finalmente podem ser ouvidas.

A solitude, o silêncio e a solidão parecem vizinhos próximos, mas cada um guarda um território próprio dentro de nós.

A solitude é o gesto de estares contigo de forma inteira, sem fuga e sem disfarce; é o momento em que deixas de te abandonar para te acompanhares.

O silêncio é o espaço onde tudo o que estava abafado finalmente se torna audível, o intervalo onde a verdade encontra espaço para respirar.

Já a solidão é diferente:

É o eco que surge quando a ausência de alguém pesa mais do que a presença de ti.

Curiosamente, é muitas vezes atravessando a solidão que aprendemos a reconhecer o valor da solitude.

O silêncio pode existir sem paz, a solidão pode existir sem escolha, mas a solitude transforma ambos em território seguro.

E, quando estes três se encontram de forma madura, nasce um tipo de presença rara:

A de alguém que não teme ficar a sós consigo, porque descobriu que, no fundo, não há vazio ali

Há vida que precisava apenas de um pouco menos de ruído e um pouco mais de verdade para ser reconhecida.

Meditar sobre a solitude, o silêncio e a solidão é importante porque nos ajuda a perceber de onde vem o nosso desconforto e onde nasce a nossa paz.

Quando olhamos para estes três estados com atenção, aprendemos a distinguir o que é ausência do outro e o que é presença de nós mesmos — e essa clareza muda a forma como habitamos a nossa própria vida.

Entre o Silêncio e o Caminho

No silêncio nasce o que o mundo não vê,
e na solidão ecoa o nome que é meu.
A solitude chega como antiga maré,
trazendo o que fui, o que sou, o que é teu.  

Ali, onde o tempo respira devagar,
descubro que o vazio não passa de chão.
É terra que espera a semente pousar,
é casa que aguarda o regresso da mão.

E assim compreendo, no rito de estar só,
que a alma só fala quando o ruído cede.
Pois ser consigo é voltar ao pó,
e ouvir a verdade que o silêncio pede.

Ventos Sábios

Ruth Collaço, a autora do texto

Comente aqui

É muito bom ter você aqui!

Há muito a ser visto em nossas páginas.
Siga-nos nesse Caminho do Universo, onde podemos buscar juntos o desenvolvimento e a evolução individual.
Por isso, leve o tempo que precisar.

Conecte-se conosco!

Descubra mais sobre O Caminho do Universo

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading