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Ascensão

Ascensão

Sigo-te pelas íngremes enseadas
De nascentes e poentes encantados,
Onde apenas os corações alados
E as bocas sanadas de mal dizer
Se mesclam, numa fusão própria de bem-querer.

Não me é comum olhar duas vezes
Fixar a atenção e tentar perceber
Onde o teu chamamento nos poderá levar,
Mas sigo-te
Confiando que de ti não me irei perder.
Sabes…
Hoje descobri que os poetas também morrem,
Mas que as palavras escritas,
No tempo irão prevalecer.


Sigo cada passo teu a ondular
E paro aqui e ali só para te admirar.
São íngremes as encostas que temos de subir
Efémeros os dias para as alcançar.

Por que não paramos o tempo?
Por que nos empurra o vento?
Por que somos assim…
Fragilidade e descontentamento?

Sigo-te…
Há verde e luz, para lá das sombras.
Há estradas que ainda temos de percorrer,
Outras vidas para viver,
Outros sóis a refletir nos espelhos.
E nós,
A romper a noite para alcançar a madrugada
O lento alvor,
A manhã sempre esperada.

Ali, onde me fazes mulher
Puro encanto.
Ali, onde os abraços são aguardados,
O altar do nosso contentamento.

Se me amas, também te amo
E vou contigo aonde quiseres,
Porque, para lá do decifrável,
Outros motivos nos empurram na mesma direção
E nos fazem querer subir,
Lado-a-lado,
Os degraus dessa extraordinária ascensão.

Vá… anda!
Rega-me as mãos.
Verás que há flores a brotar dos meus dedos.

Dulci Ferreira, a autor do poema

One response to “Ascensão”

  1. Avatar de Mário Arraia
    Mário Arraia

    Maravilhoso.

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