Quão frágil é o espaço sem escarpas, sem limites e exigências, permitindo a progressão sem custos, transportando nas mãos lisuras de nada.
Nascer com o exagero da oferenda ao alcance do berço, é insuficiente para a grande caminhada, não mensurável em tempo.
Geralmente, a facilidade cultiva a preguiça dos sentidos abandonados à sua sorte e ao acaso, plantando sementes de prepotência e egoísmo.
Por vezes, a revolta abre portas de salas pouco iluminadas, aos cérebros cansados de não entender onde está a falha, ou não aceitar que a terra apenas gira sobre si própria sim, mas somente à volta do sol.
Tantos meteoritos caídos, rochedos compactos sem a beleza das serranias e planícies repletas de girassóis.
NÃO, MIL VEZES NÃO!!!
Esse é o grito, o som estranho ecoando através do ar, bebendo da água serena dos ribeiros onde as aves molham as penas. Essa é a tela jamais pintada da natureza, de onde nascem as cores e detalhes de todas as coisas. Então, crescer é um ato criativo, uma prova de amor próprio e os horizontes aproximam-se dos dedos ávidos de serem à distância de um toque um dos cinco sentidos e com ele transportarem os irmãos, ao cheiro das giestas, ao paladar dos frutos, ao ouvir as cantigas dos rouxinóis e ver um luar de prata banhando um luxuoso mar.
A fragilidade cairá por terra, evoluindo sobre ela arados abrindo sulcos, depois atirando sementes, mais tarde colhendo.
É FÁCIL DESCONSTRUIR O FRÁGIL. ACIMA DE TUDO É POSSÍVEL!!!

Maria Dulce Araújo, a autora do texto







