(no alvor da nostalgia)
Ela,
sempre minha
sempre bela;
a que nunca cansa,
a que nunca morre,
a que o infinito alcança
com seus galhos largos…
Ela,
a que sempre diz
a que sempre dita amor
a que esconde a dor
a que limpa a lágrima, sorrindo
a que me é raiz…
Ela,
a maior e mais completa,
a mais perfeita
a mais discreta;
a que nunca se acomoda
a que me chinga e acorda
a que me ensina e alerta
para as vicissitudes da vida…
Ela,
a mais presente,
a mais querida
a mais doce e paciente;
a mais sensata
a que me oferece o colo quente…
a mais sofrida
a mais resiliente
a mais atenta e destemida
a mais grata…
Ela,
a que se fragmenta e multiplica
a mais perspicaz e atenta
a que se orgulha e envaidece
quando o sucesso me alcança
e a humildade me tece o caráter…
Ela,
que vara a noite preocupada
quando me faço demora;
que devota, para mim
proteção a Deus implora…
Ela, a Mãe
a rainha,
sempre tua
sempre minha
a que nunca me larga a mão
a que nunca vai embora.
Ah, minha mãe!…
como sangra, apertado
o coração!
Onde estás, agora?

Dulci Ferreira, a autora do poema







