Era uma vez um rapaz
-Pedro assim se chamava
– Um pastor muito capaz,
Que suas ovelhas guardava.

Em montes altos pastavam
Ervas tenras e fresquinhas,
Tudo saboroso encontravam
Estas felizes ovelhinhas.
Pois o pasto tinha que ser bom
Para o Pedro poder dizer:
-Delicioso queijinho para o pão,
Leitinho fresco para beber

E enquanto as ovelhas guardava
Uma boa sombra escolhia.
Mas por vezes triste ficava
Por não ter uma companhia.
E pensava que podia ter
Os seus amigos consigo,
Pois teria mais prazer
Em brincar com um amigo.

Mas nunca aconteceu
E estava sempre sozinho.
E por isso resolveu
Inventar o seu joguinho
E de repente já estava a gritar,
E só socorro, socorro pedia,
Que um lobo o estava a atacar
E que de medo morria!

No campo, uns camponeses ouviram
Os gritos do Pedro, aflito,
E logo a correr acudiram
Para ajudar o pequenito.
Quando a seu lado chegaram
Viram que era tudo mentira
E muito triste ficaram,
Pois numa cilada caíram.

No dia seguinte a brincadeira continuava
E de novo gritou, voltando a fingir
Que um lobo o atacava,
Que tinham que o acudir.
E os camponeses a ouvir voltaram
O rapaz em gritos aflitivos
E logo de novo pensaram
Que pedro e rebanho estavam perdidos,
E lá foram em socorro,
Depressa e desesperados.
Quando chegaram, não havia lobo,
Sentindo-se de novo enganados.
Ficaram furiosos ao vê-lo feliz,
À sombra de uma árvore a descansar.
O que queria aquele petiz,
Que não os deixava trabalhar?
Dias mais tarde, de novo
Os gritos voltaram a ouvir:
-Socorro, aí vem o lobo!
Por favor, venham acudir!

Resolveram os camponeses desta vez
No brincalhão do rapaz não acreditar.
Duas vezes usou de malvadez,
Não os voltaria a enganar.
Só que era mesmo verdade,
O lobo não parava de atacar!
Chorou com muita infelicidade,
Não podia suas ovelhas salvar.

Muitas ovelhas perdeu,
Ninguém o veio acudir.
Teve só o que mereceu
Nunca se deve mentir.
O Pedro aprendeu a lição:
Na vida tudo deve ser direito.
Isso gravou no seu coração,
Que todos merecem respeito.






