
Estas fotos são de uma linda história
O Gato dos Botas foi o nome escolhido
Quem a lê guarda-a na sua memória
Por ser muito esperto e atrevido
Era uma vez um pobre moleiro
Que de três filhos era progenitor,
Amigo e bom conselheiro,
A quem tinha muito amor.
Tal era a pobreza em que vivia,
Sem meios para o suficiente ganhar,
Que só uma coisa muito queria:
Conseguir sua família sustentar!
Três bens eram a sua riqueza:
Um gato, um burro e um moinho.
Um dia marcado pela tristeza,
Os filhos perderam o seu paizinho.
Assim, logo que o pai morreu
Quiseram repartir a herança.
Entre eles tudo a bem se resolveu
E na vida pensaram com esperança.
O irmão mais novo só o gato ganhou.
A mula e o moinho para os outros ficou,
Mas todos precisavam mesmo saber
O que com aquela herança iriam fazer.

Com os mais velhos nada aconteceu,
Que ficaram remediados para sobreviver.
Mas o mais novo desde logo reconheceu
Que com um simples gato não podia viver.
E, rapidamente, começou a pensar
Que o gato ia matar e esfolar.
A carne servia para se alimentar
E a pele dava jeito para se agasalhar.
Mas tinha muita pena de o fazer.
Só resolvia o problema no momento…
Depois… como iria comer e viver?
Tudo isto não lhe saída do pensamento.
O gato, que era muito esperto,
No seu dono viu a preocupação.
Ter um plano que desse certo
Seria o resolver da situação.
“Meu amo, a tua vida vou mudar!
Mas para isso tens que me dar
Um chapéu e umas botas para calçar
E de mim ainda te vai orgulhar

O rapaz no seu gato acreditou,
Pois a sua esperteza conhecia
E de imediato tudo lhe arranjou,
Pois queria ver o que acontecia.
E o gato todo arranjado,
De chapéu e botas calçado,
Orgulhoso de lado para lado,
Até estava muito engraçado!
A correr, feliz, à floresta foi ter,
Logo viu um lindo coelho a correr!
Foi atrás dele para o apanhar
E ao palácio do rei o foi levar.
“Tenho um presente para Sua Majestade,
Pelo Marquês de Carabás é enviado!”
O Rei mostrou grande felicidade,
Ficando muito grato e emocionado.
“O teu amo é uma simpatia!”
E, grato ao gato, uma festa fez
Que, vaidoso e com alegria,
Pensou ao palácio ir outra vez.
Passados dias, duas perdizes caçou
E levou-as ao rei, que as aceitou.
De novo ao amo mandou agradecer,
Um amigo assim era um prazer ter.

Um dia, o gato ouviu comentar
Que o rei e a filha iam passear.
Logo pensou e o seu amo convidou
Que, feliz, aquele convite aceitou.
“Faz tudo o que eu pedir”
–Disse o maroto gato, a sorrir
–“Que de nada te arrependerás
E verás do que eu sou capaz!”
Chegou o dia para o passeio combinado,
O gato, que em tudo já tinha pensado,
Muito satisfeito com o amo a seu lado,
Já sabia como o rei ia ser enganado.
Com grande firmeza ao amo ordenou
Que despido ao lago tinha que se atirar.
O rapaz, decidido, para a água saltou,
Esquecendo-se de que nem sabia nadar.
E lá chegou o rei na sua carruagem.
O gato as roupas do amo escondeu,
Gritou “socorro”, cheio de coragem,
Confiante do que ao amo prometeu.
“O meu amo por ladrões foi roubado
E, de seguida, para o lago atirado!
Ele precisa mesmo de ser ajudado
Porque se não vai morrer afogado!”

“O marquês de Carabás está a morrer!”,
O esperto gato não parava de gritar:
“Por favor, alguém o venha socorrer
Para o meu bom amo não se afogar!”
Os gritos do gato ao rei foram ter,
Que logo a carruagem mandou virar,
Pois algo tinha mesmo que se fazer
A quem alguns presentes lhe foi levar.
Ao seu cocheiro teve que pedir
Para o marquês do lago tirar
E, para ele ter com que se vestir,
Roupas novas o mandou comprar.
De seguida, o rapaz foi convidado
Para na sua carruagem entrar.
O gato, que era um ser iluminado,
Ao castelo do marquês os quis levar.
Para o castelo de um monstro se dirigiu,
Que era conhecido pela sua magia.
E, quando lá chegou, logo lhe pediu
Para lhe mostrar como a mesma se fazia.

“Vim ver sua magia, meu senhor.
É capaz de num leão se transformar?”
O monstro, vaidoso com todo o rigor,
O inofensivo gato quis logo encantar.
Apareceu um leão grande e assustador.
O gato, cheio de medo, logo lhe pediu:
“Volta ao que eras, meu grande senhor”,
E novamente aquele monstro surgiu.
E o gato com alegria palmas bateu.
Esperto como era, de novo pediu
E, mais uma vez, a magia aconteceu:
O ratinho pedido de imediato surgiu.
Espertalhão, o gato depressa o comeu.
Daquele grande castelo se apoderou.
Quando a carruagem do rei apareceu,
Este, admirado, seus olhos arregalou.
“Bem-vindo ao castelo do marquês Carabás”
E, fazendo uma vénia, a visita agradeceu,
Muito orgulhoso de tudo que foi capaz,
Teve a certeza de que aquela batalha venceu.
O rei e a filha admiravam toda a beleza
De um jovem rapaz já com tanta riqueza,
Que não cabia em si de tão contente
Por ter na sua vida o “gato” presente
Um aparatoso banquete foi preparado.
Tal era a felicidade do rei que só comia!
O marquês e a sua princesa lado a lado,
De tão felizes não escondiam a alegria.

E aquele pai e “rei” em tudo pensou,
Que eles, apaixonados, queriam casar.
Quando ao seu palácio real chegou,
O casamento mandou logo preparar.
O apaixonado casal não sabia que dizer,
O gato das botas muito radiante ficou.
Um pobre rapaz, um futuro rei ia ser,
Porque no seu fiel gato sempre confiou.
Este gato foi um exemplo de gratidão
Porque da morte o seu amo o poupou.
Como prova do seu amor e dedicação,
Feliz, esta bela história imaginou.






