Era uma vez uma menina que não queria pensar, porque pensar lhe provocava dor. A mãe, preocupada com tal revelação, decidiu falar com ela para melhor compreender que pensamentos lhe perturbavam a mente:
– Laurinha, vamos conversar?
– Sobre o quê, mamã?
– Sobre o pensamento! Afinal, em que pensas e por que é que pensar te dói tanto?
– Mãezinha… penso nos meninos que sofrem as consequências das guerras e que se veem privados do colinho dos seus pais. Há dias vi, na televisão, crianças esqueléticas a morrer de fome. Cenas tão tristes que me fizeram chorar.
Essas imagens nunca mais me saíram do pensamento e tudo isso me magoa por dentro.
Não! Não quero pensar!
– Compreendo-te, filhinha! Também me dói saber que tanta coisa má se faz por esse mundo fora. Sim, por vezes, o pensamento dói no coração e na alma. E dói nos olhos e nas mãos. Dói até nos pés…
– A sério, mamã?
– Sim, minha querida!
O pensamento dói na alma e no coração, porque somos seres sensíveis, com sentimentos e fragilidades.
Pensar também é sentir, e sentir às vezes causa dor.
Pensar faz doer os olhos, porque não temos um olhar frio nem vazio.
O olhar grava.
A memória retém e desperta através do pensamento.
Pensar faz doer as mãos, quando as nossas ações são erradas. São as mãos que tocam, que agem. Tanto para o bem como para o mal.
Pensar faz doer os pés, porque às vezes escolhemos caminhos errados para percorrer e quando percebemos o erro, também faz doer. Mas é errando que se aprende a viver!
Há quem diga que “somos o que pensamos”.
Por isso, é importante cultivar pensamentos positivos, que nos ajudem a crescer como seres de bem e de luz.
In PEQUENAS HISTÓRIAS, GRANDES AVENTURAS, Tomo II
– FlamingoEdições (Atlantic Books).

Dulcí Ferreira a autora do texto







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