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Quando as cascatas cantam

Era o tempo dos rios cheios como balões, pintados de rápidos saltitantes e velozes.

A densa selva verdejante ondulava o seu dossel sobre as águas, à semelhança das grutas nas rochas enfeitiçadas por figuras rupestres de povos de água.

Corriam descalças como crianças, numa constante alegria.

Como por magia, saltavam para o infinito imitando véus brancos luminosos numa cantiga afinada e salpicada de vozes corais.

Vista de cima, a floresta parecia riscada, desenhando recortes magníficos intervalados por trilhos de passos viajantes em busca do mundo.

O Homem tomou para si o privilégio desta natureza sem dono, escrevendo pautas e pautas de notas musicais e versos de cantigas.

As águas gostaram, aplaudiram a nova ordem, porque este Homem era respeitador e acreditava em sonhos.  

Maria Dulce Araujo, a autora do texto

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