O Útero Ancestral é o ventre onde a memória se expande para além da carne e toca o infinito.
Ali, o primeiro átomo não é apenas origem — é estrela antiga a arder dentro da matéria das avós míticas.
Cada célula vibra como constelação, cada pulsação é um eco de eras que antecedem o próprio tempo.
A mulher torna‑se ponte entre mundos: raiz enterrada no solo primordial e luz suspensa no firmamento.
Nas suas entranhas vive o mapa secreto da criação, traçado em fogo, sombra e silêncio.
O útero é tambor cósmico, terra sideral, onde o fogo da origem se mistura com o pó dos ossos das que vieram antes, e onde o espírito ancestral murmura nas marés do corpo, guiando o próprio universo a recordar o seu primeiro gesto.
É o altar da continuidade eterna, onde o Todo se reconhece mãe, e o cosmos se curva, em reverência, para agradecer o dom de nascer.
Não apenas uma vez, mas em cada mulher que carrega o princípio dentro de si.
Ventos Sábios – Heterónimo

Ruth Collaço, a autora do texto







