Ama-me agora
que novo dia já acontece no colorido das flores.
Olha como os jardins resplandecem
na esperança que embala o sonho!
Ama-me agora
no abraço que se dá e recebe
sem o medo das represálias
sem o terror da censura das falas
ou dos gestos que abafam as opiniões contrárias.
Ama-me agora
na canção que já se ouve e se canta
no horizonte dos ecos que nos trazem
o fragor da boa nova,
no tempo que hoje nos chega.

Deponham-se as armas da discórdia.
Calem-se as ações que causam dor.
Que troem apenas os canhões do amor
da harmonia e da fraternidade.
Que se disparem apenas “misseis” de empatia
e os afagos que transportam a poesia
nos sonhos que desejamos alcançar.
Ama-me agora
na paz das noites e dos dias que nos cantam.
Já se ouvem canções em brados de alegria.
Já se vestem os mastros com as cores da igualdade.
Que prevaleçam as vontades e a força de vencer
na cor vermelho-sangue da flor da lealdade.
Ama-me agora
que os campos se vestem de trigo e de esperança
que se ouve a canção da gaivota
na voz de uma criança,
a essência em que todos deveríamos aportar.
Abracemos a paz que se sonha e ambiciona.
Esqueçamos o medo que jaz
nas masmorras dos “castelos” do horror
que nunca quisemos para nós.
Respeitemos os ideais de uns e de outros
e aprendamos a conviver em amor e fraternidade.

E que as guerras que fizermos
sejam de beijos, abraços e de sorte.
Que façam acontecer vida e não morte
e nos implantem no peito
o aperto agridoce da saudade.
Ama-me agora
no canto e no voo da gaivota
em plena liberdade.

Dulcí Ferreira a autora do poema







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