Arranco do peito os farrapos
Da minha desilusão
E pinto a vermelho vivo
O quadro dos meus dias…
Já não sei quem sou
Ou mesmo se sou,
Mas se for alguma coisa
Que não seja em vão,
Custam-me sangue e dor
As hipocrisias.
Há tambores a rufar dentro do peito.
O coração bate forte
Como trote de cavalo na lezíria
Prometo tudo fazer do meu jeito
Mesmo que aches de despeito
Esta minha ousadia.
Basta! Imponho aos ventos
Que me incitam a lutar
Certo, mais que certo
É não seguir por aí
Livre quero ser e caminhar
Ainda que só e triste
E não esperarei por ti
Se tudo o que valorizo
No teu mundo não existe.
Apesar da dureza das palavras
Na hora da despedida
Há uma lágrima de dor
Que pelo rosto resvala…
Seguirei pisando firme
Sobre as pedras que me atiras
Mas prometo, neste mundo
Só de mim serei vassala.
In “Utopias do Pensamento”, Vol. I “Este Poema Tão Nosso”, Chiado Books, 2018

Dulci Ferreira, a autora do poema







