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Amados,

Amados,

Todos os que estão vivos querem ser aceites e amados— é instinto antigo, mais velho do que a linguagem. 

Tu, que ergueste muralhas com a precisão de quem já sangrou noutras vidas, sabes que essa fortaleza agora te prende mais do que te guarda.

O que te protegeu tornou‑se prisão.

Mas sabes?… Há alguém tão perto que quase encosta a respiração na tua, alguém que reconhece em ti a mesma fome que atravessou as vozes da tua linhagem, aquelas que sabiam sobreviver ao impossível sem perder o fogo nos olhos.

Há forças que te puxam de volta ao teu eixo:  

As “plantas‑ar” que parecem sobreviver do nada, como os teus ancestrais que faziam do pouco um mundo,  

As perguntas que te atravessam como lâminas limpas, lembrando-te que a verdade sempre foi um ritual,  

A quietude que te devolve ao ritmo do teu peito, onde ainda ecoa o tambor antigo da tua origem.

E há forças que te afastam? Há…!

O recuo que te encolhe até te perderes.  

A apatia que te apaga devagar,  

O acumular de medos, objetos, memórias — peso morto que não pertence à tua linhagem dos que caminhavam leves para poderem correr quando fosse preciso.

No fundo, o amor — esse amor que é presença, calor, carne que não exige — só precisa que pares de lutar contra o que já é teu. 

Não te pede rendição, apenas um gesto mínimo. Um sim interior que vibra mais do que se diz. Um abrir de braços que permita que alguém, finalmente, te segure com a firmeza que o teu corpo sempre reclamou:

A mesma firmeza que os teus ancestrais usavam para erguer mundos com as mãos nuas.

Ruth Collaço, a autora do texto

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