Objeção de Alma

Mas afinal, o que é isto de Independência de Espiritualidade?

Enquanto respirava fundo antes de mergulhar no caos doce do dia, de chávena de café na mão, dei por mim a pensar na quantidade de vezes em que a palavra “espiritualidade” é usada como se fosse um perfume caro: borrifa-se um pouco, posa-se na prateleira, e pronto, já está.

Momentos em que uma frase, uma sensação, um arrepio qualquer, nos puxa para dentro. E hoje, sem pedir autorização, a pergunta instalou-se:

Mas afinal, o que é isto da independência espiritual?

É que para mim, não é um conceito rígido, não é um diploma, não é um mantra que se repete até perder o sentido e alcançar o Nirvana, sabem?…

É muito mais íntimo, mais selvagem, mais feminino no meu instinto.

É aquela força que nasce quando deixo de procurar aprovação nos “altares” dos outros e começo a reconhecer a minha própria essência como lugar sagrado.

É quando deixo de seguir receitas espirituais pré-cozinhadas e prontas a consumir, e começo a temperar a minha vida com aquilo que realmente me nutre, não com o que me dizem com que me “devo” nutrir.

A independência espiritual é a capacidade de me orientar a partir do meu próprio centro, sem depender de doutrinas, rituais, gurus iluminados ou expectativas alheias para definir quem sou ou como me relaciono com o mistério.

A minha intuição não pode ser um capricho, é uma bússola.

A minha consciência não pode ser um eco, é uma Voz.

A minha sensibilidade não é fraqueza, é radar.

As suas causas? Podem nascer de muitos lugares: de uma inquietação antiga, de uma saturação de dogmas, de um cansaço de me moldar a formas que nunca foram minhas, ou ainda simplesmente daquele momento em que percebo que a espiritualidade que me vendem não cabe na mulher que me tornei.

Vem até de uma escolha da fértil solitude que tanto me apazigua, a mesma que me ensinou que, se eu não cuidar da minha alma, ninguém o fará por mim.

E então pergunto-me, quais são as consequências desta minha independência? (sim… consequências, não se deixem enganar, pois toda a escolha assim o implica!)

 Ah…, essas são deliciosamente ambíguas.

Por um lado, ganho liberdade, autenticidade, coragem para dizer “não” a discursos supostamente elevados e “sim” ao que realmente me expande.

Por outro, arrisco-me a enfrentar olhares tortos, incompreensão, resistência, e até aquela hostilidade subtil de quem prefere espiritualidades embaladas e publicamente prontas a consumir.

É que a independência espiritual, tal como a intelectual, exige responsabilidade:

Não é licença para delírios egocêntricos, nem para arrogâncias disfarçadas de iluminação.

Implica honestidade, discernimento, humildade para rever caminhos, e a coragem de assumir que a minha verdade é minha, e que esta pode mudar se assim o escolher depois de reflexão consciente.

Ser espiritualmente independente não é ser infalível. É ser verdadeira. É assumir que a minha alma sabe que a forma como a honro tem impacto no mundo que habito. Um compromisso contínuo com a minha integridade, mesmo quando isso me obriga a abandonar dogmas, crenças antigas, rituais herdados ou expectativas alheias.

Porque viver a MINHA espiritualidade por mim é um ato de “rebelde” liberdade

 Um pacto íntimo e sagrado com a minha própria essência.

E tu, o que é que ainda segues por hábito e não por alma?

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