Numa longínqua e bela cidade 

Um casal com sua filha vivia 

Completa era a sua felicidade 

Pois, tinha tudo o que queria

Num inverno muito rigoroso 

Sua mãe gravemente adoeceu 

E, aquele pai tão amoroso 

Sua mulher querida perdeu 

Era um abastado comerciante 

Para fora tinha que se ausentar 

Na verdade, era uma vida errante 

E a filha não se estava a habituar 

Cada vez mais triste e sozinha 

Desolada não sabia o que fazer 

E o pai daquela linda menina 

Algo teve que lhe prometer 

Uma nova mãe lhe prometeu 

E que duas boas irmãs iriam ter 

A menina confiante agradeceu 

Acreditando que feliz podia ser

Mas bem diferente era a realidade 

Só inveja havia naqueles corações 

Era uma família com tanta maldade 

E do seu pai só queriam os milhões 

Logo, todas, as garras mostraram 

E como nada de útil sabiam fazer 

A menina de imediato maltrataram 

Pois só uma criada queriam ter 

Batizaram-na de gata borralheira 

A doce menina muito triste ficou 

O chão da cozinha junto à lareira 

Foi a cama negra onde se deitou 

O pai sempre ausente de nada sabia 

A menina só perto dele queria estar 

De tanta tristeza nem sequer sorria 

Com saudades de não o ver chegar 

Um dia o rei mandou um pregoeiro 

Uma grandiosa festa anunciar 

Os 18 anos do príncipe herdeiro 

Para todos poderem festejar 

As ricas e as nobres donzelas 

Foram para a festa convidadas 

E todas queriam ir muito belas 

Para serem pelo príncipe desejadas 

A gata borralheira foi chamada 

Pelas irmãs para a roupa engomar 

Triste por ser tão maltratada 

Pois só a mandavam trabalhar 

Muito felizes só a humilharam 

Dizendo que não a podiam levar 

E dizendo adeus a porta fecharam 

Deixando a bela menina a chorar 

Uma luz azul resplandeceu 

A cozinha logo se iluminou 

Uma linda fada apareceu 

E a triste menina consolou

Sou a tua boa fada e madrinha 

E, a chorar não te quero ver 

Por isso minha linda princesinha 

Tudo o que tu desejas vais ter 

A gata borralheira julgou sonhar 

Mas tudo parecia ser verdadeiro 

Só pediu para ao baile a levar 

Aos 18 anos do príncipe herdeiro

Ao jardim a mandou procurar 

Seis lagartixas e uma cabaça 

Uma rata e seis ratos juntar

E a menina a tudo achou graça 

À varinha mágica logo ordenou 

O que rápido tinha que fazer 

E tudo com magia transformou 

Para a linda menina não sofrer

A rata até parecia um cavalheiro 

Transformada num belo cocheiro 

E as lagartixas em belas criadas

 Bem vestidas e muito educadas 

A cabaça em carruagem se transformou 

Os seis ratos pequenos e insignificantes 

Em cavalos brancos e tão elegantes 

E a menina seus olhos lindos arregalou

A boa fada com a sua varinha tocou 

E o velho vestido foi transformado 

No mais belo que jamais imaginou 

Sendo mais um sonho realizado

E as velhas sandálias foram trocadas 

Por sapatos de cristal transparente 

Para serem nos seus pezinhos calçadas 

Que deixaram a menina tão contente

Mas de algo teve que a prevenir 

Que quando as 12 badaladas ouvir 

Do palácio terá que sair a correr 

Porque o feitiço se irá desfazer 

Quando a menina no palácio entrou 

Na verdade, parecia uma princesa 

E o príncipe de imediato se encantou 

Ficando fascinado com tanta beleza

Apaixonado não parou de dançar 

Até o rei comentou a sua beleza 

E a todos não parava de perguntar 

Quem era aquela bela princesa 

As horas depressa se passaram 

E as 12 badaladas tocaram 

A gata borralheira logo fugiu 

E o príncipe nunca mais a viu 

Apesar de muito a procurar 

O príncipe ficou muito desiludido 

Viu só uma pobre menina a andar 

E nas escadas um sapato perdido 

Guardou-o com muito carinho 

E disse ao seu rei e progenitor 

Que a dona daquele sapatinho 

Tinha despertado o seu amor 

O rei querendo seu filho alegrar 

Mandou no seu reino procurar 

E ao palácio ninguém voltar 

Sem a bela menina encontrar 

Todas as portas tiveram que se abrir 

Para calçarem o sapato às donzelas 

Sendo elas pobres, ricas, feias ou belas 

Que felizes estendiam o seu pé a sorrir 

À porta da menina bateram devagarinho 

As suas feias e más irmãs de tudo fizeram 

Mas os seus enormes pés não couberam 

Naquele tão lindo e delicado sapatinho 

A gata borralheira pediu para o calçar 

Logo a madrasta com desprezo gritou 

Que o sapato não podia experimentar 

A menina desolada muito triste ficou 

Mas desconfiado o emissário real 

Com uma ordem firme e natural 

Pediu à menina o seu fino pezinho 

Para calçar o delicado sapatinho 

E no pé da linda gata borralheira 

Logo entrou o sapato de cristal 

Que tinha a medida verdadeira 

Pois, na verdade era dela… afinal

As irmãs e a madrasta malvada 

Furiosas não queriam acreditar 

Que a menina por elas abandonada 

Um belo príncipe ia conquistar 

E a gata borralheira ao palácio voltou 

Para os braços do seu príncipe amado 

Que emocionado e muito feliz ficou 

Por o seu grande amor ter encontrado

Um belo casamento aconteceu 

Todos quiseram testemunhar 

Que o amor mais uma vez venceu 

E que ninguém os iria separar

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