Tenho a fome do tempo numa travessa de um bairro na aldeia da minha memória, como uma porta que se abriu franqueando-me a saudade. E aqui estou no postigo a olhar para o futuro. 

Tenho a fome do tempo, nenhum trago me satisfazendo, na impossibilidade do outrora retornar, naturalmente porque assim é. Sem desespero mas com a nostalgia de ter o tempo na mão e amassá-lo como pão. 

Tenho a fome do tempo, daquele que resta como eu, subjugando o presente à férrea vontade de ter tempo, regando a terra deste meu vaso de barro  onde planto a visão do horizonte, morada do tempo lá longe. 

E todos, nalgum momento cuja majestade varia consoante o alimento de cada um, temos esse elo comum enquanto soubermos que para tudo existe um tempo.

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