Se a noite me cobrir, que seja de bênçãos.
Os sonhos, esses nunca me abandonaram.
Podes até pensar que sou trivial,
que levo a vida na corda bamba
e que nem as brumas ocasionais
me levam a sério.
Devo eu, acreditar
quando, sarcástico, me miras e dizes
ser eu, a luz dos teus olhos?
Bem sabes que a luz
às vezes também ofusca
Tal como a neblina confunde
a perceção do olhar.
Temo que tudo não passe de engano
Ilusão, miragem, utopia do achar
e, ainda assim,
madrugada ou aura crepuscular,
noite iluminada, dia pardacento,
o silêncio, a solitude
e o matiz outonal
tudo isso e mais além
uma clara forma de ser e de estar.
Sheeeee!
As folhas esvoaçam, a brisa é suave.
As flores murcham nas jarras.
Escutemos o som do vento que passa
e aproveitemos bem o tempo que nos resta.

Dulcí Ferreira a autora do poema







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