O orvalho caiu imenso naquela noite de céu sereno, vestindo as flores de gotas prateadas. Elas não se importavam, adormecidas de pétalas fechadas, sonhavam com jardins repletos de canteiros, simples campos a fingir, que todos queriam ter, inspirando odores perfumados enquanto as abelhas cirandavam em cantigas sibiladas.
Não era o Eden!
Fluiam as flores ao sabor do vento em conversas e danças, para satisfação dos girassóis, que rejuvenesciam em segredos com o sol.
E ali, não existiam diferenças de espécie, pois as raízes unidas cresciam iguais.
Uma vez ou outra, alguém colhia uma flor e na despedida ela deixava sementes, guardadas pelas demais como tesouro incalculável preservando-se no tempo.
Por vezes, a chuva caía forte e brusca, ameaçadora e pecadora.
As flores não temiam essas investidas brutais, sabendo de antemão não ser a lei que as punia, mas sim a ordem natural.
Resistiam até poderem, até o sol voltar a brilhar, e as acompanhar na renovação.
A Primavera trazia consigo o benefício de quem renasce, espalhando pelos jardins a brisa, cuja função passava por embalar os rebentos florais dessa nova geração, que se repete no ciclo a si destinado.
A natureza é perfeita !!
Seja o nosso jardim seu seguidor.

Maria Dulce Araújo, a autor do texto







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