Pensar é agitar a mente e o espírito. É questionar, indagar, procurando respostas para as nossas inquietações. A meditação só acontece através do silêncio, do isolamento e do autoconhecimento.
(…)
Fazer reflexões profundas e partilhá-las é um ato de altruísmo.
Conhece-te a ti mesmo, para poderes chegar aos outros.
O caminho passa pela empatia. “Por vezes, é essencial chamar o outro pelo nosso próprio nome.” 1
Onde nos leva o pensamento?
Creio que, muitas vezes, onde não queremos ir. Onde não desejamos estar. Onde a ânsia e a angústia tomam lugar.
“Volta-te mais para dentro!”, 2 escreveu Rui Alexandre oliveira numa das suas reflexões, incentivando o leitor a concentrar o pensamento no que deveras é importante, isto é, em si mesmo, de forma a conhecer melhor a própria essência.
Ainda assim, como simples humanos, não há maneira de nos abstrairmos das realidades que nos cercam:
As múltiplas guerras, as lutas pelo poder, a constante perda de valores, a frieza de sentimentos, a banalização da morte, a completa destruição… crianças famintas, sem amor, sem lar, sem proteção, as tais “vitimas colaterais” que parecem não ter importância para os fazedores da guerra.
Ainda assim, apesar do caos, há sempre a possibilidade de um recomeço.
“Vale sempre a pena começar de novo”, 3 ser persistente e resiliente.
Rui Alexandre Oliveira foca-se no SER, dá-lhe prioridade e tenta despertá-lo para a valorização de si e das suas atitudes, de forma a que a caminhada não seja em vão:
“Vais viver contigo até ao fim, por isso faz algo digno da tua própria admiração.” E acrescenta: “A mais importante missão que qualquer ser humano tem para realizar é olhar para dentro de si, conhecer-se, aceitar-se, gostar de si próprio, respeitar os seus sentimentos (…)”
Não poderás amar o outro se odiares a ti mesmo.
Onde nos leva o pensamento?
Sabemos que pensar demasiado provoca reboliço na mente e saturação. Não obstante, para este autor acarreta alguma contradição:
“Uma mente vazia é uma alma vazia, uma mente demasiado pensativa é uma alma em sobressalto. O melhor é reduzir o pensamento ou até não pensar.” 5
Aqui, a questão que se coloca é, como chegar à abstração, perante realidades tão dolorosamente cruéis?
A vida devia ser mais simples e leve… Assim, como nos descreve Fernando Pessoa no heterónimo Alberto Caeiro. Para quê complicar com pensamentos profundos, quando tudo pode ser tão leve como uma brisa suave ou o simples observar de uma flor. Para quê pensar, se pensar dói tanto? “Pensar é estar doente dos olhos”. 6
Não será melhor simplesmente observar e fruir?
Mas a realidade não é tão linear…
O que se passa por esse mundo fora não nos deixa apenas doentes dos olhos, mas enfermos na alma e no coração.
Quando é que os homens vão perceber que nada se leva deste mundo? E para quê, tanta ambição, se para a eternidade só precisaremos de sete palmos abaixo do chão? Não era melhor que se entendessem e, ao invés de destruir, se unissem na construção de um mundo novo e mais justo para todos?
“O amor não é posse… é entrega!” 7
E é desta forma que Rui Alexandre cumpre a sua parte, partilhando amor e solidariedade e demonstrando, através das suas ações, uma enorme devoção e entrega às coisas de Deus e às carências do corpo e do espírito do seu semelhante. E coloca-nos perante uma questão pertinente:
“Qual o lugar da fé e do amor a Deus no nosso coração?” 8
Esta capacidade de se embrenhar dentro de si, à procura do verdadeiro “Eu”, material e divino, revela-nos um Ser consciente, introspetivo, profundo na interpretação e que tem uma postura determinada perante a vida.
Deus é a sua maior inspiração.
E todos precisamos acreditar que existe, realmente, essa Força Maior, ainda que, apenas, para dar um sentido à existência. Que as atitudes que tivermos nos desvelem seres de afetos, persistentes construtores de paz, de amor e de boas ações em prol do bem comum e de nós mesmos. No final, é essa a principal mensagem que o autor deseja passar. (…)
Concluindo, o silêncio e a solidão são fatores fundamentais para o mergulho interior e para a boa concentração e reencontro.
É através da reflecção e da meditação que nos descobrimos força e fragilidades, mas também Luz a iluminar o caminho para casa.
Vale, então, a pena reiterar que “A força que mais devemos acreditar é a que nos vem de dentro!” 9
Parte do Prefácio de minha autoria, do livro de reflexões “SOLITUDE”, do poeta/escritor Rui Alexandre Oliveira – Edição do Autor, 2025
Citações de 1 a 5 e de 7 a 9 – Oliveira, Rui Alexandre – In SOLITUDE – Edição do Autor 2025
6 – Alberto Caeiro – in O Citador – acedido em 19/09/2026

Dulcí Ferreira (Maria Dulcídia de Almeida Pereira Ferreira) a autora do texto







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