Para quem se inicia no caminho do autoconhecimento e busca pela compreensão da própria consciência, há uma distinção fundamental que transforma a forma como percebemos a vida:
O tempo é dos ego(s), o instante é da Essência.
Esta frase ajuda a perceber que existem duas maneiras de experienciar a realidade:
Uma baseada na narrativa mental e outra baseada na presença viva.
O Tempo (psicológico), aquele que organiza passado e futuro, é uma construção dos ego(s).
É nele que o ego parasítico respira e se alimenta.
Precisa do passado para justificar quem se diz ser, precisa do futuro para se proteger ou se validar, e precisa ainda de continuidade para manter a história de “eu” sempre em movimento. Assim, o ego vive de memórias, projeções, comparações e expectativas. Usa a memória para sustentar identidades, a antecipação para tentar controlar o que ainda não aconteceu, a comparação para medir (o seu) valor e progresso, e a narrativa para garantir que tudo parece coerente.
O ego é cronológico, linear, acumulativo; vive de antes e depois.
A Essência, porém, não se move nesse contexto e eixo.
A Essência é presença — e a presença é intemporal.
Não precisa de memória nem de antecipação, não depende de histórias nem de justificações.
A Essência vive no instante absoluto, aquele espaço interior onde nada falta e nada sobra. O instante não tem passado nem futuro; é o real tal como é, sem interpretações, duvidas e especulações, simplesmente é.
Quando a nossa consciência se desloca da narrativa (ego) para a presença(essência), o ego perde o seu combustível. O medo dissolve‑se, a ansiedade perde o chão, e a identidade deixa de ser uma história para se tornar uma vibração viva.
É por isso que tantos caminhos e “escolas” espirituais afirmam que “o Reino está no agora”: porque o agora não é um momento no relógio, é um estado de ser.
A questão aqui meus caros, é que entre o tempo e o instante existe uma tensão natural.
O ego mede, enquanto a Essência sente.
O ego calcula, enquanto a Essência revela.
O ego corre, enquanto a Essência permanece.
-O ego vive no tempo porque teme desaparecer (porque será que o ser humano tanto procura uma fórmula “mágica” que o fala viver mais tempo?); a Essência vive no instante porque não pode “ser perdida”.
Reconhecer esta diferença é um dos primeiros passos no autoconhecimento.
Perceber que o ego constrói histórias e que a Essência revela a verdade.
O tempo é do(s) ego(s).
O instante é da Essência.
E cada um de nós, é o espaço onde ambos se encontram.
Ventos Sábios

Ruth Collaço, a autora do texto







