Cai a noite e tu não vens. Lá fora, o vento anuncia os teus passos, mas a porta de entrada não deu sinal de ti.
O vazio permanece e a tristeza invade a minha alma.
Olho o relógio… cada minuto de espera é um pedaço de vida que se apaga em mim.
Ao vento que sopra forte pergunto, se de ti me traz notícias; se te viu vagueando por ruelas e calçadas em noites de tempestade ou, então, de bar em bar, à procura de outro corpo… desses, a quem tantos outros, por vezes, se entregam, mas o vento nada responde.
E é numa profunda tristeza que me deixo adormecer. Sonho contigo e nesse sonho, os meus medos e anseios não têm razão de ser.
Acordo.
É já outro dia quando vislumbro o teu reflexo em mim.
Não partas agora que te descobri, mas se partires, não feches a porta. Há sempre a possibilidade de quereres voltar!
In “Na Companhia das Letras”, Edição de AJFAlmas, 2011

Dulci Ferreira, a autora do texto







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